ENTREVISTA: Joana Caetano Vieira

Entre histórias que encantam crianças e narrativas que tocam o coração dos adultos,
Joana Caetano Vieira escreve com a delicadeza de quem sabe transformar palavras em
lugares de afeto, imaginação e descoberta. Nos seus livros infantis, como Remi, O Sonho
dos Sapatinhos Azuis e Cadu e os Segredos de Verão, conduz os mais novos por aventuras
que misturam fantasia, humor e valores nobres. Já na escrita para adultos, abre espaço
para emoções intensas, mistério e reflexão. Nesta entrevista, partilha connosco um
pouco do seu universo criativo, deixando sempre no ar um convite ao leitor: entrar nas
suas páginas é muito mais do que ler, é viver uma experiência.

  • O que é a escrita para ti?

A escrita é o fio invisível que me liga ao que sou e ao que ainda não descobri. É o
espaço onde encontro sentido, respiro e deixo o silêncio ganhar voz.

  • Como é a tua rotina de escrita?

Não sigo uma rotina rígida. Escrevo quando a inspiração chama, mesmo nos momentos
mais inesperados. Muitas vezes nasce de instantes roubados ao tempo — um
amanhecer, uma pausa, um pôr do sol.

  • Tens horários ou rituais específicos?

Não tenho horários fixos. Preciso apenas de silêncio, de uma chávena de chá e da escuta
atenta daquilo que ainda não tem forma.

  • Qual a parte mais desafiadora do processo de escrita para ti?

O desafio é sempre transformar sentimentos em palavras sem os perder pelo caminho —
traduzir o invisível e dar corpo ao que apenas a alma reconhece.

  • Como lidas com o bloqueio criativo?

Aceito-o. Caminho, observo, deixo o tempo passar. Às vezes, o silêncio também é uma
forma de escrita — e nele a inspiração regressa.

  • Costumas planear a história antes de começares a escrever?

Esboço apenas um mapa inacabado. Gosto de deixar que a história me surpreenda e se
revele durante o processo.

  • Existe alguma personagem nos teus livros que reflita parte de ti?

Todas guardam fragmentos meus. Umas revelam gestos, outras feridas, mas nenhuma
nasce sem carregar um eco de mim.

  • Qual o maior desafio que enfrentaste como escritora?

Acreditar que a minha voz merecia ser lida. O maior desafio foi transformar fragilidade
em força e confiar que as palavras têm o seu destino.

  • Quais os livros de outros autores que influenciaram a tua escrita?

Não há um só nome. De cada livro que me tocou, guardo uma centelha. Talvez a minha
escrita seja feita de todas essas chamas.

  • Como foi a tua experiência com a publicação do teu primeiro livro?

Foi um misto de medo e gratidão. Como abrir uma porta e deixar o mundo entrar. O
primeiro livro é sempre um pedaço de alma entregue ao desconhecido.

  • Atualmente, estás a trabalhar em algum projeto novo?

Sim, vários. Alguns já pedem luz, outros ainda germinam em silêncio. A escrita é um
movimento constante em mim.

  • Quais os teus objetivos para o futuro, profissionalmente?

Continuar a escrever e chegar a mais leitores. Acima de tudo, desejo que a minha escrita
encontre quem precise dela. O resto, o tempo dirá.

  • Qual a importância da leitura na tua vida?

Ler é essencial. É a ponte que me ensinou a sonhar, a refletir e a acreditar que tudo é
possível.

  • O que esperas que os leitores sintam ao ler os teus livros?

Que encontrem um reflexo, um abraço ou uma pergunta que os acompanhe para além
das páginas. Que sintam algo verdadeiro.

  • Que conselhos darias a escritores iniciantes?

Que escrevam com coragem, mesmo nas incertezas. Que não tenham medo da sua voz,
porque é nela que está a verdade da escrita.

“As palavras de Joana Caetano Vieira são um convite a sonhar: descobrir os seus livros é
entrar num mundo onde a imaginação se encontra com a emoção”.