CRÓNICA: Portugal a Cru

Portugal é um país num pequeno canto à beira mar, parece ter-se esquecido da sua essência. Outrora um país de navegadores, de descobertas e de aventuras. Atualmente parece navegar em águas turvas, perdendo-se na rotina e na falta de variedade no dia-a-dia. A alma portuguesa que noutros tempos pulsava forte na voz dos fadistas e nas danças das festas populares, encontra-se agora em estado de sonolência, como se aguardasse uma nova tempestade que a faça despertar.

Caminhando pelas ruas de lisboa, por exemplo, é fácil notar a condição desta cidade. De um lado o charme das ruas de Alfama, com azulejos a contar histórias de um passado glorioso. Do outro lado, a modernidade impiedosa dos edifícios de vidro que desafiam a tradição. Os turistas, fascinados, desfilam como se fossem personagens de um filme, enquanto os locais misturam-se, muitas vezes alheios à beleza que os rodeia. Existe uma desconexão entre o que Portugal tem para oferecer e a forma como os portugueses a apreciam.

Nas aldeias do interior, a situação não é muito diferente. O campo, que já foi palco de uma vida de qualidade, agora parece ser um eco de tempos passados. As pessoas, envelhecidas contam histórias de um mundo que já não existe, enquanto os mais jovens, procuram refúgio nas grandes cidades, à procura de oportunidades. As tradições correm o risco de se tornarem meros espetáculos para turistas, em vez da celebração viva da cultura.

Jovens artistas, agricultores e empreendedores estão a reviver a essência portuguesa, procurando equilíbrio na tradição e na modernidade. São estes novos navegadores que com coragem e criatividade, estão a alcançar novos caminhos para o Futuro.

Portugal, a cru: é um país que precisa de se olhar ao espelho e reconhecer a sua própria beleza, as suas imperfeições e o seu tecido cultural. É um convite a todos os portugueses para que se deixem levar pelas suas raízes mas que também abracem o futuro com entusiasmo. A verdadeira essência de Portugal não está apenas nas suas paisagens deslumbrantes ou na gastronomia, mas nas histórias que cada pessoa tem para contar.

É hora de Portugal voltar a sentir, a viver e a celebrar a sua identidade, despindo-se das amarras da conformidade e vestindo-se com a coragem de ser verdadeiramente autêntico. A maré pode estar baixa, mas o oceano de possibilidades é vasto e promissor. Portugal necessita redescobrir a sua paixão e a autenticidade que sempre foram a alma deste país.

“A autenticidade de Portugal revela-se na voz do povo, mostrando a essência de uma nação que vive entre o passado e o presente.”