CRÓNICA: Escritor ou Chatgpt?

A tecnologia avança a passos largos, a relação entre a criatividade humana e a inteligência artificial torna-se cada vez mais intrigante. A figura do escritor, tradicionalmente vista como um artista solitário imerso nas suas palavras, enfrenta atualmente um novo concorrente: a inteligência artificial. Afinal o que distingue a mão humana, de um computador?

O escritor com as suas experiências, emoções e vivências, é capaz de criar mundos complexos e personagens com profundidade. O mesmo tem habilidade de traduzir sentimentos em palavras que tocam no coração e a mente do leitor. A imaginação pode surgir de um pôr do sol, de uma conversa na rua ou de uma lembrança. Cada palavra escrita carrega um pouco da sua alma. Por outro lado, o ChatGPT com capacidade de processar o acesso a uma quantidade elevada de informações, pode gerar textos que impressionem pela coerência e estrutura. No entanto este sistema, não sente, apenas pesquisa e calcula. Não sonha, recorre a padrões já existentes. A máquina pode oferecer respostas rápidas e eficientes, mas será que consegue entender a complexidade humana? Consegue traduzir a dor da perda ou a alegria de um amor?

A questão não reside apenas em quem escreve melhor. O escritor traz autenticidade da experiência vivida, enquanto a inteligência artificial oferece apenas uma nova forma de contar histórias. Poderão ambos ter lugar no universo da literatura, mas a escolha do leitor pode refletir pela conexão ou pela eficiência. Num mundo que acelera a olhos vistos, onde a informação é consumida a uma velocidade impulsiva, pode ser tentador recorrer à facilidade de um texto gerado pela a inteligência artificial. No entanto a literatura foi e sempre será espaço de reflexão, empatia e de descoberta. É desta forma que o toque humano torna-se insubstituível. Sejamos leitores atentos, capazes de distinguir a magia que reside na humanidade por trás das palavras. Afinal, o que realmente importa é a história que nos toca e que nos transforma. O sentimento reside na humanidade, e não num computador! A escrita é um reflexo da alma; mesmo que as máquinas possam imitar, no entanto somente o ser humano pode provocar verdade e paixão nas palavras.

“A escrita é um reflexo da alma; mesmo que as máquinas possam imitar, no entanto somente o ser humano pode provocar verdade e paixão nas palavras”.