ENTREVISTA: Isa Rocha

Isa Rocha é uma escritora que encontrou na palavra o único lugar onde pode existir sem pedir permissão. Para ela, escrever não é apenas criar- é libertar. A escrita é o espaço onde diz tudo o que o mundo tenta calar, onde expõem fragilidades sem medo do julgamento e onde transforma emoções cruas em narrativa. Nasceu com uma sensibilidade que a aproxima das pequenas verdades do quotidiano, Isa descobriu cedo que a escrita era o seu refúgio e a sua arma. É através dela que organiza o que sente, confronta o que a inquieta e dá forma ao que tantas pessoas carregam em silêncio.

  • O que é a escrita para ti?

A escrita é a minha forma de respirar por dentro. É o gesto silencioso onde deposito tudo o que não cabe na fala. É o refúgio onde as emoções encontram forma, onde o caos se torna frase, onde o que me atravessa ganha sentido. Escrever é olhar para mim sem desviar os olhos.

  • Como é a tua rotina da escrita?

Não escrevo sempre à mesma hora. Escrevo quando algo me chama. Às vezes é uma frase que aparece do nada. Às vezes é uma inquietação que não me larga. Às vezes é uma pergunta que não sei responder.

  • Tens horários ou rituais específicos?

Não tenho horários, tenho impulsos. Não é um ritual, é quando sinto.

  • Qual a parte mais desafiadora do processo de escrita para ti?

Escrever é um ato de vulnerabilidade contínua. E manter essa vulnerabilidade acesa, sem fugir, é o verdadeiro trabalho.

  • Como lidas com o bloqueio criativo?

O bloqueio, para mim, não é ausência de palavras — é excesso de pressão. É quando a cabeça quer escrever, mas o corpo não acompanha. É quando a verdade ainda não está pronta para ser dita. É o texto a dizer-me: ainda não é este o caminho.

  • Costumas planejar a história antes de começares a escrever?

Costumo escrever excertos no papel ou no telemóvel sempre que uma frase me encontra. Não espero estar no “momento certo”. Escrevo onde estou, como estou, com o que tenho. Depois, quando volto a esses

fragmentos, desenvolvo-os. Transformo o impulso em texto. É assim que a minha escrita nasce: primeiro em pedaços, depois em corpo.

  • Existe alguma personagem nos teus livros que reflita parte de ti?

Sim, mas isso só lendo.

  • Qual o maior desafio que enfrentaste como escritora?

O maior desafio que enfrentei como escritora foi acreditar que a minha voz merecia espaço. Durante muito tempo, escrevi com a sensação de que estava a invadir território alheio — como se a escrita fosse um lugar reservado para pessoas mais inteligentes, mais confiantes, mais certas de si.

  • Quais os livros de outros autores que influenciaram na tua escrita?

Alguns livros marcaram a minha escrita não pelo enredo, mas pela coragem das palavras. Foram autores que me ensinaram que a verdade pode ser dita sem pedir desculpa, que a vulnerabilidade pode ser força, que a simplicidade pode ser profunda. Influenciaram-me pela forma como olham para o mundo, pela maneira como transformam dor em linguagem e silêncio em significado. Não copio estilos — absorvo ousadias.

  • Como foi a tua experiência com a publicação do teu primeiro livro?

Ainda irá ser publicado este ano, e confesso que estou ansiosa, assim como, com algum nervosismo, mas vai correr bem na certa.

  • Atualmente estás a trabalhar em algum projeto novo?

Bem… Estou na escrita do segundo livro. Em relação, a novo projeto…. É surpresa ainda.

  • Quais os teus objetivos no futuro profissionalmente?

Que isto tudo cresça, que nunca fique pelo pensamento, e sim por mais sabedoria.

  • Qual a importância da leitura na tua vida?

A leitura é o lugar onde aprendi a sentir antes de saber explicar. É onde encontro mundos que não vivi, dores que não são minhas, verdades que nunca tinha imaginado. Ler não é só receber histórias …. é expandir o olhar.

  • O que esperas quando os leitores leem os teus livros?

Que reflitam … Que se pense mais antes de agir, porque tudo tem um “Mas”, e tudo tem um V de volta. Que sejamos mais Humanos.

  • Que conselhos darias a escritores iniciantes?

Que não desistam. O começo é sempre difícil, mas se não acreditarmos em nós, quem acredita? É o que sempre digo: Temos de seguir firmes e fortes. E se cairmos? Levantamo-nos.